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sábado, 12 de outubro de 2024

De criatividade, e o quarto da costureira


Uma calça precisava de reparo e precisei de uma costureira. Encontrei uma no caminho do Anil, na rota que sempre faço. Não propriamente um estabelecimento, mas uma portinha que dava para um pequeno aposento, aberta diretamente para a rua, quase às margens do canal e sob a sombra da amendoeira.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Caminhos de prata. E do tempo relativo.


Ao longo do asfalto, gotas de cinza tinta. Parecia um caminho salpicado de prata, como são na imaginação aqueles que levam a castelos de reis ou outros portentos de contos de fadas. Sincronicamente, ao virar a esquina já é o ouro de carambolas amarelas pelo chão. Há uma caramboleira por perto. Não sou exatamente fã da fruta — às vezes trago para casa para fazer suco para meu filho, mas é raro. Porém sempre admirei o formato estrelado e, agora, ao passar pela calçada de carambolas caídas, me sinto transitando por uma via láctea de ouro.
 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Pensamento soltos


Quatro e meia da manhã e ouço os metais de Fela Kuti ressoarem na cabeça. Mais sutil e concreto é o canto do passsarinho lá fora, até hoje desconheço a espécie mas faz um "fiuiii fiuiii" ritmado sempre a essa hora da madrugada. Conhecemos pouco as aves, males da nossa criação urbana, engaiolada, tecno-cinza e nano-gris. Sou entusiasta da modernidade mas esse fato não é algo que se negue. A meta, entendo eu, deve ser a do espaço sideral sem a perda de contato com o chão, e então me recordo de Maiakóvski em "A propósito disto", capítulo "O amor", sobre o pai ser o Universo e a mãe a Terra —  e ninguém menos que isso.

terça-feira, 5 de março de 2019

Por que o Iluminismo não foi a era da razão



Inaugurando o blog, traduzo abaixo -fonte ao final- um texto sobre um tema que me é muito caro: as Luzes, das quais, como marxista, sou tributário. O autor sustenta a tese de que o período não foi o de uma apologia à razão fria, ao contrário do que o senso comum deixa transparecer.

A imagem que ilustra o post, utilizada no texto original, é "Un dîner de philosophes" ("Um jantar de filósofos"), por Jean Huber (1772).

Por que o Iluminismo não foi a era da razão

Henry Martyn Lloyd

Do outro lado do Atlântico grupos de intelectuais fizeram uma convocação para a guerra. A cidadela sitiada a ser defendida, afirmam, é a da ciência e da política baseada em fatos e evidências. Esses cavaleiros do progresso -como o psicólogo Steven Pinker e o neurocientista Sam Harris- condenam o aparente ressurgimento da paixão, emoção e superstição na política. Eles dizem que a base da modernidade é a capacidade humana de controlar forças disruptivas de forma racional e com a cabeça fria. O que precisamos é dar um "reboot" no Iluminismo, portanto.